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Letra de Forma

"A crítica deve ser parcial, política e apaixonada." Baudelaire

Letra de Forma

"A crítica deve ser parcial, política e apaixonada." Baudelaire

Explicação de uma ausência

 

A ausência foi tão longa que aos que passaram e passem por esta página – que muitos certamente tomaram como extinta – é devida uma explicação.
 
Sem entrar em pormenorizações intímas de tipo Facebook, há no entanto factores de ordem pessoal, mais propriamente de uma história clínica, que são razão dos factos e de uma suspensão do Letra de Forma de quase seis meses. Umas horas depois de ter colocado em linha o texto sobre Dias de Música fui internado de urgência. O internamento hospitalar foi longo de meses e a convalescência prosseguida em condições de debilidade e com uma logística diferente da que era antes a minha vida quotidiana. Esta é a razão da ausência.
 
Terão alguns notado, porque foi facto público, que entretanto cumpri as minhas funções de programador associado do Doclisboa, e especificamente responsável pela secção “Riscos” e este ano também pela retrospectiva dedicada a Jonas Mekas, além de comparticipar da selecção das competições internacionais, mas não quis estar numa situação, já de si precária, em que outros trabalhos fizessem com que voltasse ao Letra de Forma em situação intermitente. Volto precisamente agora porque considero ter as condições de uma cadência regular.
 
Sou afecto a datas, a algumas datas, e, ao mesmo tempo que outros textos estão prestes a entrar em linha, não quis deixar de assinalar o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, colocando em linha um texto escrito há 10 anos, aliás um dos textos que me é mais caro – precisamente porque a queda do Muro foi um dos dias mais felizes da minha vida, de intenso júbilo, e um eventos mais marcantes da História contemporânea, não quis deixar de o assinalar, por evidentes motivos políticos mas também de memória pessoal – e de assim, sendo afecto a datas, a algumas datas, foi esta um impulso decisivo para dar de novo continuidade ao Letra de Forma num momento em que, depois de um tão grave incidente de saúde, estou também afinal numa nova fase da minha vida, que decorre da própria condição de “sobrevivente”.
 
Neste interregno ocorreram muitas coisas sobre as quais gostaria de ter escrito (e obviamente houve imensas coisas que perdi), e algumas vou ainda recuperá-las se a reflexão assim o justificar. Tenho em particular a noção de que críticas a concertos ou espectáculos devem ser rápidas de publicação, mas também me permito algumas considerações mais “inactuais” se entender importante o registo de reflexão. Ainda mais em particular tenho a noção que na edição discográfica, a cujo acompanhamento me dedico, a disponibilidade das obras nos estabelecimentos se tornou tão rápida que há cada vez mais desfasamentos das críticas – e estou também a falar da imprensa escrita – mas tenho também a noção que, além de compartilhar a fruição, com os meios actualmente existentes não deixa de ser também possível encomendar um objecto se a escrita e a sua leitura a isso convidarem.
 

Aos que foram passando por aqui para ver se a página tinha sido retomada, aos que agor voltarem, devo, além desta explicação, um obrigado.